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Manhã

Agosto 22, 2009

E isso só me demonstra que nós fazemos o nosso dia.

E agora que me deu um quê de Alberto Caeiro, com seus dias admiravelmente contemplativos,
simples e experimentais, onde o silencio dos homens e o som do mundo contracenam em poesia vista.

“Às vezes, em dias de  luz perfeita e exacta,
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!”

UFV 003

“For ever question that you have, the answer you will find on nature.”

4 comentários

  1. Vale lembrar os filmes: ” Os deuses devem estar locos” e “The power of one= O Poder de um Jovem”, buscar as respostas sempre na natureza! bjo Mom


  2. retificando “OS Deuses devem estar loucos”


  3. Esse poema me lembra “O fantástico mistério de Feiurinha”, que eu li quando era menor e mudei bastante meus conceitos. Eu costumava dizer que “não existe ninguém feio”, porque minha mãe me falava isso, mas só fui entender depois.
    :)


  4. Há, essa última frase é brilhante. Concordo plenamente.



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