Acontecimento esperado nos livros, nas novelas, nos filmes, nos parquinhos infantis e quem sabe até mesmo em nossas vidas.
Ele andava sentindo que os paralelepípedos iriam engolir seus pés de tanto peso que carregava. O dia estava nublado, naquela cidade os dias eram sempre nublados. As árvores eram raras e os prédios pareciam fazer parte de algum conjunto torto que habitava as vigas de aço. Retas. Não havia cruvas naquele local; eram só simetrias, tudo ia se repetindo, até mesmo a primeira página dos jornais repetiam as noticias do dia anterior. Era sempre assim; o dia anterior, o dia posterior, ninguém nunca ouvira falar de ontem ou de amanhã. Os habitantes não sabiam o significado da palavra Lugar, habitavam simplesmente um espaço. Barulho, passos, avenidas,lixo riscando a calçada: um resumo sensitivo.
Então sentiu algo estranho naquele ar, não parecia carregado de partículas de poeira e fuligem… Estava leve. Misteriosamente o chão pareceu mais verde e as pichações nas paredes pareceram fazer sentido, alguém estava querendo dizer algo. O lugar dizia algo, embora os transeuntes continuassem em seu ciclo habitual para o espanto do garoto. Afinal, era óbvio que algo se modificara.
-ainda sem desfecho: atrasada pra aula.-
(Aí está:)
Até mesmo o cinza do céu pareceu abrir uma fresta, deixando o calor entrar: lá estava ela, toda em Azul, caminhando como quem tomou a decisão de não olhar para trás. No instante em que estavam lado a lado, como se caminhassem com a multidão estenderam as mãos ao mesmo tempo, enlaçando-as. Não dá pra saber se foram segundos ou horas, afinal acabavam de conhecer o significado da imortalidade e então passaram a fazer do mundo um lugar melhor para comportar os sorrisos.