Posts de Outubro, 2008

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Sem título.

Outubro 30, 2008

E essas tardes de verão ameaçam levar o tédio ao patamar mais elevado dentre os sentidos. A poeira que se assenta na calçada por falta de brisa, os gritos distantes das crianças esperando as férias, os jambos em flor. Me sinto assim, num hoje estático, não sei se é a leitura que me acompanha trazendo estas sensações, ou se é o vazio da casa que transparece em meus anseios.

Acho que quando o ser se priva da própria voz, é que entende uma tarde dessas, quando falar é um despropósito: o tédio abafa também as vozes; penso que gostaria que este texto pudesse passar tudo ao meu redor. Desde os carros da avenida distante, até o sufoco d’alma que me preenche.

Deixo aqui um suspiro, para contar o silêncio que dentro de mim vai e olho para a esquina da memória em busca de algo desigual.

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É assim…ó

Outubro 29, 2008

E só tenho a agradecer a pessoas que fazem parte da minha vida e que me mostram tantas coisas sem saberem que realmente o fazem:

“* Sabe, a resposta é: não se diz nada. As pessoas, nessas horas, não precisam de palavras ou de alguém falando do lado. Elas só precisam do silêncio quente de um abraço.” Post da Cris, no Usina.

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Valkiria

Outubro 24, 2008

O frio inóspito da paisagem já havia aderido à pele e não lhe fazia mais diferença, ” o tempo se assenta aos errantes…”. Procurava caça há três dias e estava com uma costela quebrada e com o flanco aberto, mas desistir seria sua morte. Teve de abandonar todo o peso, só lhe restando a foice, era a figura transfigurada da luta em meio ao desespero. Mas traindo sua aparência faminta estava calma: “o futuro nunca fora tão igual.” Caminhar na neve era um instinto; seus pés o faziam antes dela mesma, buscando a segurança: abaixou-se abruptamente, mas já era tarde, o cansaço a distraíra; culpou-se por sua fraqueza e procurou se preparar.
A prórpia encarnação da fúria invernal corria para o ataque, um urso polar, também faminto. A guerra pela sobrevivência teve seu início, ambos a caça e o caçador e não contavam com a sorte, nem com ajuda de parte alguma. Decidiu não usar a foice de sua mãe e lutar de forma igual, se ganhasse era porque havia de conquistar essa vitória.
Gritou para convocar o sangue escondido em suas veias, para acordar a coragem. A violência do ataque do urso provocou ecos e foi jogada para longe, levantou e investiu: quando perto o suficiente saltou e montou no animal, que surpreendido não esperava pela rapidez do ataque e principalmente com a força que foi executado; segurou-lhe a mandíbula a puxando para si, o urso em frenesi mordia aquilo que o agarrava sem sucesso. Um barulho rachado indicou que conseguira quebrar a mandíbula, que agora jazia imóvel.
A dor era a total indiferença, as mãos feridas, o flanco aberto de novo e a costela ameaçando rasgar a pele; era uma filha da luta, ainda que abandonada de tudo. O que havia dentro dela era maior do que qualquer força: a vontade da vida e o poder da morte, afinal quem não tem nada aprende a arriscar até o que não tem.
O vermelho maculava a igualdade da paisagem e trazia a mudança consigo, avistou uma proeminência na neve e confundiu o urso até lá, fazendo-o girar sobre o próprio corpo e expor o pescoço à lâmina de gelo, só que cada parte do seu corpo pareceu ceder com o peso do animal e agora teve – apesar de não gostar – de contar com a sorte…
Devia ter desmaiado alguns momentos pela intensidade do impacto, mas se pôs logo de pé e começou o trabalho: rasgou a pele de forma a utilizá-la depois com a ajuda da foice pois as mãos estavam quase inúteis com os dedos mastigados, e não mais aguentando a fome se entregou à carne crua com sabor e cheiro fortes, apreciando a pouca vida que ainda lhe fora reservada para pertencer a este momento. Cortou alguns pedaços da carne para levar consigo, incluindo ossos e dentes que poderiam ser utilizados depois e se pôs na estrada para lugar nenhum novamente.
Suas feridas estavam piores, mas só o tempo poderia fazer algo por elas… “Isso é ruim, contar tanto com a sorte dos deuses.” e descobriu que era por isso que os deuses haviam de existir, para os momentos em que não há mais nada; pois é preciso de motivo para a luta. Ainda acredita que são os homens que escolhem os motivos e até talvez, as lutas…
Não importa, a solidão começava a envolvê-la, os passos incertos: Desabou.

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Vai saber como vou estar;

Outubro 14, 2008

“Vai saber, quem souber me salve”

“Preciso tomar uma providência em minha vida

Preciso tomar uma vida em minha providência

Preciso tomar vida providência em uma minha

Preciso tomar uma vida minha em providência

Preciso tomar minha providencia

Preciso tomar minha vida

Preciso tomar uma

Preciso tomar ar”
Jorge de Souza Araújo

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Outubro 3, 2008

E só encontro: ” Sinto muito, o que você procura não está aqui.”

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Por você.

Outubro 3, 2008

Por nós dois.

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Quase nada;

Outubro 3, 2008

De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho

Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo

Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada

De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei

Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho

Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso

Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo

Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada

Zeca baleiro e Alice Ruiz

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Outubro 2, 2008

Sábado de manhã sem aula, isso só prova que até mesmo lúcifer precisa de dormir até tarde:

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Outubro 2, 2008

“Amo a Liberdade, por isso as pessoas que amo, deixo-as livres, se voltarem é porque as conquistei, mas se não voltarem é porque nunca as tive.”

Só gosto imensamente deste dito;

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Pensamento unilateral

Outubro 2, 2008

Chamo de Pensamento Unilateral -neste momento- àquelas mil idéias que temos e que ficariam interessantes escritas; esquecemos. E então me sobram os discursos vazios na hora do escrever e na verdade, sabemos que por mais belas que sejam as palavras e suas diversas expressões, nada substitui o momento, o instante em que sentimos; instante esse em que descrições não são necessárias. Nem mesmo motivos, só seu simples acontecimento já desmonta nossa vida, criando ondas singulares na água do nosso rio pessoal.