
Finalmente Cris!
Julho 25, 2007Depois de um belo tempo… Aqui estou eu para fazer meu meme, sabe, eu resolvi escolher livros que me marcaram e que eu constantemente procuro reler, e acreditem, sempre que leio é como a primeira vez, só que uma primeira vez, com um gosto um tanto diferente… Um gosto de como se muda. Ou se permanece.
Um dos livros mais bonitos que já li. Aquela complexidade infantil, desapercebida, gosto de cada trecho, cada palavra e cada jibóia aberta ou fechada; Procuro lê-lo todo ano, principalmente se for o dia do meu aniversário. Aqui vai um dos trechos mas simples e aquareláveis:
“–As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para os viajantes, as estrelas são guias. Para outros, não passam de luzinhas. Para outros, os cientistas, são problemas. Para o meu homem de negócios, eram ouro. Mas todas essas estrelas estão caladas. Tu, tu vais ter estrelas como ninguém…
–O que é que isso quer dizer?
–À noite, pões-te a olhar para o céu e, como eu moro numa delas, como eu me estou a rir numa delas, para ti, é como se todas as estrelas se rissem! Vais ser a única pessoa do mundo que tem estrelas capazes de rir!
E voltou a rir.
–E quando te tiveres consolado (porque acabamos sempre por nos consolar), hás-de sentir-te muito contente por me teres conhecido. Hás de ser sempre meu amigo. Vai-te apetecer rir comigo. ,às vezes, sem mais nem menos, vai-te dar para abrir a janela, só porque é bom… E os teus amigos hão-de ficar de boca aberta quando te ouvirem rir a olhar para o céu. Mas tu dize-lhes: ” Pois é! As estrelas sempre me deram vontade de rir! ” E eles ficam a pensar que tu estás maluco. Rica partida que eu te vou pregar, não é?
E voltou a rir.
–É como se em vez de estrelas, eu te desse quinhentos milhões de guizinhos capazes de rir! “
*Livro é português, preferi não alterar a linguagem e os acentos…
O segundo se chama Ilusões, do Richard Bach. Meu livro preferido dele, acho que o personagem de Dom, um messias vindo a terra para mostrar as pessoas que Deus quer a felicidade delas e não a sua servidão. Messias, porque acreditava, e por acreditar , assim acontecia, é um personagem e um livro que me deixam absolutamente sem fôlego porque se exige uma leitura lenta e reflexiva, mas é impossível se fazer uma leitura lenta;
Gosto de tudo no livro, a história, as máximas e até a pena na capa;
Daqueles livros que perguntamos, ou respondemos algo e procuramos respostas e perguntas ou só conselhos.
“O mundo é teu caderno de exercícios, as páginas onde fazes as tuas contas. Não é a realidade, embora lá possas exprimir realidade se quiseres. És também livre de escrever coisas sem sentido ou de rasgar as páginas.
O pecado original é limitar o SER. Evita cometê-lo.”

* O livro se passa entre campos e biplanos e eu abri uma página qualquer.
O outro é O Perfume, de Patrick Süskind. Livro diferente, misterioso e extremamente suspeito. Exala algo de cru. Um assassino que mata pelo perfume perfeito. Retrata perfeitamente a França XVIII; Grenouille busca o perfume em si, a representação do amor e da beleza. Sendo ele mesmo uma figura que mesmo monstruosa é pura, não possui um cheiro sequer, aprende a manipular todos ao redor; pelo perfume que faz.
Inquietante. Eu diria, e muito, muito gota-a-gota.
O quarto é um livro que todos devem ler, digo todos mesmo; Meu Pé de Laranja lima. Admito, chorei. Simples, cotidiano e muleque. Aprendi a amar a imaginação dos dias ensolarados, das pipas e dos jardins. Com um imenso gosto de goiaba roubada do quintal do vizinho…
E o último É De Fernando Pessoa. Poeta que me instiga, que me intensifica, que me lê e que me mostra palavras, alinhadas perfeitamente;
” Tabacaria
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que
ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?)
Dais para o mistério de uma rua cruzada
constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa,
desconhecidamente certa,
Com o mistério dascoisas por baixo das pedras e dos
seres,
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos
brancos dos homens,
Com o destino a conduzir a carroça de tudo pela
estrada de nada.
Estou hojevencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este
lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma
partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de
ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e
esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À tabacaria do outro lado da rua, como coisa real
por fora,
E a sensação de que tudo é sonho, como coisa real
por dentro.
(…)”
*Gostaria de colocar o poema todo, mas não dá. Muito grande para colocá-lo agora. Tempo. Mas aqui vai a continuação…
Bom, já tem palavras demais por aqui. Desfecho;



