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Pequena

Abril 20, 2007

A cena se apresenta a seguinte: Eu, sentada na areia da praia, deixando meus pensamentos… Uma menina de seus sete anos, chega, senta ao meu lado e me imita; mas não em tudo, ela preferiu sentar de costas pro mar.

Olha profundamente pra mim, como se falasse, meus pais sempre me dizem, nunca dê as costas para o mar. Eu a compreendo em grau, gênero e numero. Situação similar.

Ficamos assim sem definição de tempo e quando deu vontade, ela me perguntou:

– Você acha que é certo querer ficar grande?

Ao que eu respondi:

– Acho, mas não quero. Porque sentar de costas pro mar não impede que vejamos as ondas…

Fez um muxoxo… Mas acho que entendeu o que eu quis dizer. Olhou por cima do ombro para o mar e virou rapidamente a cabeça, parecendo assustada, virou para frente e fechou os olhos. Depois com um misto de surpresa e vislumbre falou:

– Eu vi. Senti as ondas onde elas não estavam… Então, você não quer mesmo ficar grande? Eu não entendo… — Disse mais para si mesma do que pra mim e ponderando o assunto continuou – Se eu fosse grande, não iría querer crescer, iría querer diminuir! A… É isso que acontece?

Uma expressão exasperada tomou conta dela, quando eu desatei a rir…
E entre os risos disse:

– É mesmo, queremos todos diminuir, porque quando ficamos grandes, ficamos tão chatos. E o valor de crescer perde o significado… Como se de repente não fosse crescer, e sim aumentar… É bem ruim pros que se apercebem e bem ilusório pros que não.

Ela sorriu:

– Agora compreendo. Nada de aumentar…

E continuamos lá… Sentadas na praia. Eu de costas, ela de frente.

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